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1. Expedições Banco Gorringe (1998-1999) e Ampere (2000)

Os resultados das expedições aos Picos Gettysburg em 1998 e Ormonde em 1999 no Banco Gorringe e ao Pico Ampére em 2000, permitiram uma caracterização pioneira dos povoamentos de peixes dos cumes destes montes submarinos. O topo destas elevações submarinas proporcionam, em pleno oceano, habitats semelhantes aos de algumas zonas litorais de Portugal continental e insular. Dai que não será de estranhar que a maior parte das espécies observadas sejam de origem atlântico-mediterranea. Espécies costeiras como as Judias (Coris julis), os Peixes-Andorinha (Anthias anthias) e  os Serranos (Serranus atricauda) e exclusivamente oceânicas como os Lírios (Seriola rivoliana) são algumas das espécies mais importantes destas formações oceânicas.

Estas expedições pretenderam ser um primeiro passo na investigação e divulgação da diversidade e composição ictiofaunística dos montes submarinos atlânticos, sendo no futuro desejados estudos mais aprofundados, que possam atender a variações sazonais e incluir maiores profundidades do que as que o mergulho com escafandro autónomo permite. O facto de o Banco Gorringe estar inserido na Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal e de estar a ser sugerido por organizações ambientais internacionais como sitio potencial para classificação como Área de Protecção Marinha, promove ainda mais o interesse pelo estudo destes lugares singulares ao mesmo tempo tão longe e aqui tão perto.

2. Expedição Banco João Valente 2001 (Cabo Verde)

A expedição de Cabo Verde 2001, teve como objecto de estudo o Banco João Valente, que constitui um monte submarino relativamente próximo da costa, já que dista apenas 18 milhas da Ilha de Boavista, e de baixa profundidade, uma vez fazendo parte da plataforma continental emerge a cerca de 10m da superfície.

Com estas condições pudemos observar uma diversidade ictiofaunistica muito superior à dos montes submarinos oceânicos e com contribuições biogeográficas mais diversas.

Das 41 espécies de peixes já identificadas no Banco João Valente, a maior parte têm uma distribuição em ambos os lados do Atlântico, seguidas das marcadamente africanas, destacando-se um forte registo de espécies só encontradas em Cabo Verde. De facto, a espécie mais abundante, a castanheta (Chromis lubbocki), é endémica de Cabo Verde. Foram igualmente observadas espécies vulneráveis como o Peixe-Borboleta (Chaetodon robustus) e o Tubarão-Baleia (Rhincodon typus).

 O estudo deste monte submarino e das ilhas adjacentes, Boavista e Maio, deverá ser continuada, por forma a clarificar a influência insular sobre a composição da ictiofauna do Banco João Valente.

 

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Last updated: Fevereiro 27, 2003.